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Compost Barn, o que ninguém te conta antes de construir – Parte 1

Nada pior do que se sentir ludibriado. Quando você está “com barro até o pescoço” todos te encorajam a construir, mas depois que o barracão está pronto só falta te falarem: “Quem pariu Mateus que o embale”. Você sabe que vai dar certo, mas sabe que informação vale ouro, agora sabe disso na pele.

Aqui vou tocar em alguns pontos que em geral os produtores não se atentam e muitas vezes é fonte de frustração numa construção recém acabada. Calma! Pra tudo tem jeito… ou quase tudo.

compost barn manejo de cama leite
Fonte: Hayla Fernandes

A primeira coisa que todo pai de primeira viagem passa é: reposição e conserto da bendita cama. Você precisa entender que a cama é viva. Ela é uma mistura de carbono (vindo da maravalha ou outro material), nitrogênio (vindo da urina), água (da urina também e esterco), bactérias (vindas do esterco) e oxigênio (vindo da aeração ou revolvimento da cama diário). Quando todos esses elementos estão em equilíbrio você tem uma cama de cor uniforme, sem torrões, com temperatura adequada, sem moscas, etc.

Seguem dicas:

Formando torrões? É sinal de umidade alta. Hora de pensar em três ações imediatas: ligar os ventiladores mais tempo (caso não estejam ligados 24h), repor material de cama e talvez passar uma enxada rotativa para desfazer os torrões já formados. Ficar só na enxada rotativa pode te ajudar por um tempo, mas se a umidade está alta devemos agir na formação dos torrões e não apenas desfazer os que se formam.

Cama compactada? Umidade alta. Reposição e ventilação são cruciais e aeração mais vezes ao dia. Dica importante: gastar mais tempo batendo a cama não faz tanta diferença como fazer um ou dois revolvimentos extras até consertar, pois na primeira batida da cama é que ela perde mais umidade, a partir da segunda essa perda já vai ficando menor. Então bata a cama, mas tente fazer isso em mais momentos do dia, só até descompactar e ver que a umidade está controlada. Depois vida normal.

Cama listrada? O revolvimento da cama está sendo feito sempre no mesmo sentido e não está misturando áreas mais úmidas com áreas mais secas. Comece pelo menos algumas vezes na semana a fazer movimentos de zigue-zague no barracão. Assim, áreas com maior trafego de animais vão se misturar a áreas de menor trafego e você garante que a cama estará com umidade mais uniforme. Pilares no meio do barracão podem dificultar essa passagem do trator.

Misturou terra? Sinto lhe dizer você está matando a compostagem. A cama consegue ser consertada em inúmeras situações, mas mistura de terra é uma das coisas que vai condenar sua cama. Atenção à altura do subsolador, não deixe de maneira alguma ele pegar terra abaixo da cama. Se já aconteceu, é hora de considerar a substituição total da cama, pois ela provavelmente não vai mais aquecer e não vai mais perder umidade, formando barro e expondo os animais a um risco sanitário importante.

Segunda lição para os “papais” e “mamães” de barracões: temperatura da cama! Como comentei a cama é viva, é uma reação constante de digestão por parte das bactérias e produção de composto. Portanto é desejável que a cama esteja quente 20 cm abaixo da superfície.

IMPORTANTE: Essa temperatura é variável! Quando a cama é nova a tendência é que as bactérias inoculadas pelo esterco nas primeiras semanas “façam a festa”, pois há carbono abundante, então a curva de fermentação vai estar muito íngreme. É comum vermos camas com 65°C nesse momento, mas depois a temperatura vai lentamente caindo e se estabiliza em torno de 45°C. Não se preocupe.

Terceira lição: reposição de cama. Quando repor? Como repor? Eu diria que a primeira coisa é inaugurar o composto usando maravalha, por ser um material com densidade interessante e que vai demorar a ser consumido. Outro ponto é começar o barracão com uma lotação mais baixa para que se aprenda a manejar a cama, especialmente se estiver num período mais chuvoso. 12 a 14m²/vaca é uma boa medida inicial, depois podemos chegar a 10m² com segurança.

Ainda sobre reposição da cama lembre-se de duas coisas:

Primeira: lotes mais produtivos comem mais e portanto, estercam mais. Segunda coisa: Meses úmidos exigem mais reposição.

Assim, é crucial que a fazenda tenha um pouco de material para reposição emergencial, como em áreas de passagem de vacas, áreas mais sujeitas a chuva de vento, etc. Por isso sempre tenha muita atenção aos lotes mais cheios ou de maior produção, provavelmente é ali que a cama vai estar “mais feia” e há maior possibilidade das vacas estarem sujas.

Última dica de hoje: hora de tirar a cama. A cara da cama ou a temperatura da cama não mostram que é mais ou menos rica em nutrientes, apenas que está sendo bem manejada. Você vai poder ficar com a mesma cama por 1 ou 2 anos tranquilamente se o manejo for correto. Porém se está curioso para saber o teor de nutrientes, recolha uma amostra e envie ao laboratório como análise de solo. Se você chegar lá e pedir análise de composto provavelmente eles vão dizer que não fazem. Mas mande como solo que vai dar certo e aí você pode julgar se é momento de usar, se compensa em relação a adubo convencional, etc.

 

FONTE: https://www.milkpoint.com.br/

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