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Resíduos da produção de leite: quantidade e qualidade

O correto manejo de resíduos e dejetos na produção de leite é fundamental para o bom funcionamento da propriedade, trás benefícios econômicos ao produtor além de reduzir o impacto ambiental.

Na Parte 7 de nossa série foi definido que o manejo de resíduos na produção de leite é o uso cotidiano de conhecimentos, práticas e tecnologias que reduzem o impacto ambiental da atividade e melhoram a eficiência de uso de nutrientes.

A primeira etapa para se implementar o manejo de resíduos na propriedade é saber em que quantidade e com qual qualidade os resíduos são gerados. Entende-se qualidade como a concentração de nutrientes presentes nos resíduos. Vale aquela velha máxima: só conseguimos manejar o que medimos!

Os principais pontos abordados serão:

  • Vantagens de quantificar e qualificar os resíduos
  • O que são dejetos ou resíduos?
  • Volume de fezes e nutrientes excretados por vacas
  • Nutrição e geração de resíduos
  • Volume de água e geração de resíduos
  • Utilização de dejetos como fertilizantes
  • Monitorar o volume de resíduos produzido
  • Sistemas a pasto e geração de dejetos

Na figura 1 apresento os aspectos que determinam a quantidade e a qualidade dos resíduos orgânicos. A quantidade de resíduo e sua concentração em nutrientes irá ser alterada ao longo do ciclo produtivo (ano), pois é influenciada por vários aspectos produtivos. Isso reforça a importância de se ter um monitoramento, ao longo do ano, da quantidade e qualidade dos resíduos na propriedade leiteira.

Figura 1 – Aspectos que influenciam na quantidade e qualidade dos resíduos gerados pela atividade leiteira.

 

 

Vantagens de quantificar e qualificar os resíduos

  • Determinar o correto dimensionamento das estruturas de armazenamento e/ou tratamento dos resíduos;
  • Reduzir o valor dos investimentos e dos custos de manutenção das estruturas/tecnologias necessárias para o manejo dos resíduos;
  • Reduzir o risco ambiental no uso dos resíduos como fertilizante;
  • Reduzir o custo de distribuição dos resíduos como fertilizante;
  • Auxiliar na adequação da propriedade a legislação ambiental;
  • Facilitar a implementação de ações relacionadas ao uso eficiente dos recursos naturais e insumos da produção.

 

O que são dejetos?

Neste texto vou abordar somente os principais resíduos orgânicos da atividade leiteira: fezes, urina, dejetos e efluentes. Sabemos que no dia a dia da atividade também são gerados outros resíduos como: carcaças de animais, frascos de medicamentos e agrotóxicos, material cirúrgico, papel, plástico, etc.

Todos estes resíduos devem ser quantificados e qualificados para o correto manejo e descarte de acordo com a legislação ambiental.

Apesar de conceitos como dejetos e efluentes serem de uso comum, muitas vezes o entendimento do que eles significam não é completo ou está errado. O Quadro 1 apresenta as definições destes e outros conceitos de acordo com o Glossário de Termos Associados ao Manejo de Resíduos da Produção Animal.

Esta publicação pode ser acessada gratuitamente. Sugiro que este livro seja material de consulta permanente para todos(as) que pretendem fazer ou já fazem o manejo dos resíduos.

Quadro 1 – Definição de termos relacionados ao manejo dos resíduos da atividade leiteira.


Fonte: Salazar, Charlon e Palhares (2019). Glossário de termos associados ao manejo de resíduos da produção animal.

Volume de fezes e nutrientes excretados por vacas

Considerando 63% da produção de leite no Brasil em 2019 e utilizando equações para calcular a quantidade de fezes e nutrientes excretados, apresento no Quadro 2 o potencial de geração de fezes e nutrientes das vacas ordenhadas.

Quadro 2 – Estimativa do potencial de produção de fezes e nutrientes no Brasil, ano base 2019.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o consumo de fertilizantes químicos em 2019 no Brasil foi de 35,9 milhões de toneladas. O NPK excretado pelas fezes dos animais apresentados no Quadro 2 foi de 1,3 milhões de toneladas, 3,6% do total de fertilizante químico consumido em 2019.

Ressalto que o cálculo do potencial de excreção pelos animais não envolveu o total de vacas ordenhadas, todas as categorias de animais (vacas secas, novilhas e bezerros(as)) e a excreção via urina (principal via de excreção de nitrogênio).

 

Nutrição e geração de resíduos

Na Figura 2A se observa a foto de uma amostra de fezes bovinas. A Figura 2B é resultado da lavagem e peneiramento desta amostra, mostrando o conteúdo de material não digerido na forma de grão de milho. Existe uma relação direta entre a correta nutrição dos animais, a quantidade de fezes geradas e a qualidade destas fezes.

Portanto, o incorreto manejo nutricional significará maior geração de fezes e com maior potencial poluidor. Dietas formuladas de acordo com as exigências dos animais irão promover maior eficiência de uso dos nutrientes e, consequentemente, menor excreção destes nas fezes e urina. A nutrição animal é a chave e o início de um correto manejo dos resíduos.

Figura 2 – Amostra de fezes de uma vaca leiteira (2A). Material não digerido na forma de grão de milho presente nas fezes (2B).

 

Volume de água e geração de resíduos

A Figura 3A mostra a geração do dejeto durante o manejo de raspagem e lavagem de uma sala de ordenha. O excesso de uso da água durante a lavagem da sala de ordenha irá resultar em maior produção de dejeto.

Isso tem impactos negativos tanto no aspecto ambiental como no econômico. A raspagem do piso da ordenha antes da lavagem e o uso de água com pressão, são ações simples que irão resultar em menor volume de dejeto.

No Episódio 6: consumos de água no sistema de produção de leite apresentei que a melhor forma que temos para medir o consumo de água no sistema de produção é pela instalação de hidrômetros. O mesmo irá valer para medirmos as quantidades de efluentes.

Na rotina diária da atividade leiteira os efluentes são gerados na sala de ordenha devido as várias rotinas de lavagem de equipamentos e pisos. A instalação de hidrômetros na sala de ordenha resultará em valores da quantidade de água consumida em cada processo de lavagem, que por consequência, será a quantidade de efluente gerado.

 

Utilização de dejetos como fertilizantes

Na Figura 3B se observa a sucção do efluente armazenado em uma esterqueira para seu posterior uso como fertilizante. O armazenamento dos dejetos leiteiros em esterqueiras/lagoas e o uso do efluente como fertilizante é uma das rotas tecnológicas mais simples e de baixo custo que produtores(as) têm para fazer a correta disposição do resíduo.

A segurança ambiental e a viabilidade econômica de se utilizar o efluente como fertilizante estão diretamente relacionadas ao conhecimento da quantidade e da qualidade do efluente.

Figura 3. Dejeto produzido na lavagem da sala de ordenha (3A). Efluente sendo retirado da esterqueira (3B).

Monitorar o volume de resíduos produzido

A melhor informação que se pode ter para promover o manejo dos resíduos é aquela gerada na própria propriedade a partir de medições das quantidades produzidas e da coleta de amostras dos resíduos e envio ao laboratório para avaliar sua qualidade.

Quando este monitoramento não é possível, se pode utilizar informações técnicas disponibilizadas na literatura. Sempre lembrar que coeficientes técnicos da literatura expressam uma realidade específica e podem não ser os mais adequados para a realidade da propriedade.

 

Sistemas a pasto e geração de dejetos

Como no Brasil predomina o sistema de criação a pasto, grande parte das fezes e urina geradas diariamente pelo animal serão dispostas diretamente no solo. Diz-se que neste caso o bovino atua como um “fertilizador natural”.

Ter uma estimativa da produção destes resíduos e de sua qualidade e relacionar isso com o tipo de pastagem da área e a exigência de nutrientes desta pastagem, significará menor uso de fertilizantes químicos, pois poderá se considerar a contribuição de nutrientes via resíduos dos animais.

É importante ressaltar que em sistemas leiteiros a variabilidade da dieta ao longo do ano (dieta de águas e de seca) e o estágio de lactação das vacas irão determinar variabilidade na concentração de nutrientes das fezes e urina.

Sugere-se a amostragem dos dejetos, ao menos duas vezes ao ano, a fim de identificar o impacto da dieta nas concentrações de nutrientes dos resíduos orgânicos. Na Tabela 1 tem-se um exemplo de como as concentrações de nitrogênio, fósforo e potássio nas fezes varia ao longo da lactação.

Tabela 1. Concentrações médias mensais de nitrogênio, fósforo e potássio nas fezes de vacas em lactação.


Adaptado de Novelli et al. (2019).

 

Conhecer a quantidade e a qualidade dos resíduos gerados no sistema de produção de leite é fundamental para fazermos o manejo destes resíduos bem como para que este manejo seja economicamente viável. 

A maior demanda das ações de quantificação e qualificação não é financeira, mas sim comportamental. Devemos mudar a forma como entendemos os resíduos, deixando de entender estes como um problema e passar a entende-los como um insumo de valor para a própria atividade leiteira.

Esse tipo de entendimento é o que hoje se denomina de economia circular, todos os nutrientes contidos nos resíduos orgânicos “circulam” no sistema de produção nas suas dimensões animal e vegetal.

Vamos medir e caracterizar os resíduos para conhecer. Vamos conhecer para melhor manejar. Vamos manejar para dar qualidade ambiental e ter benefícios econômicos e respeito social.

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